domingo, 11 de janeiro de 2015

baixada blues

baixada blues

vou seguindo nessa estrada
a pé, e me vejo perdido
e enfim achado
na busca do meu passado
revoada de pássaros
cães não ladram
campo de flores e de lixo
vou seguindo nessa estrada

de lata


rogel samuel

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

POEMA





POEMA







como apareces, planície
entre o linho e o azul deserto
a praia se abre em palácio
na glória de tuas sedas
no teu sorriso de ledas
e severidades deusas
nos olhos de mil portas
(mas apenas te vi: na verdade
eras efemeridade)

Rogel Samuel

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

FOI NUMA NOITE DE AGOSTO

  


 foi numa noite de agosto  
      que apareceu a tal lua  
      os lábios naquela água  
      o corpo dado aos amantes  
      amantes não sabem nada  
      que há tempos não se via  
      a gargalhada menina  
      da lua de rica rima  
      poetas que não se fiem  
      poetas nada sabem   
      que é até mesmo uma pena  
      que esta caneta tão prima  
      não seja feita mais fina  
      como ponta de punhal

quarta-feira, 23 de julho de 2014

JARDIM ANTIGO





jardim antigo



um fato aconteceu
no silêncio das flores do jardim abandonado
entre os arbustos
e folhas secas

aumentaram as cores
a vivacidade variada
libertaram
não sabem a nenhum
germinam grandes entre pedaços de
estatuária
debaixo de pedras
dentro dos tanques surdos

somente perdidos anjos
e o cão preto
aquelas aves desgarradas
aquelas murtas velhas
não a vêem

à noite um lagarto verde
entre as estrelas azuis

as flores dormem

as flores há muito tempo lá estavam
elas dormem

segunda-feira, 7 de julho de 2014

despertar paredes brancas

despertar paredes brancas
despertar paredes brancas, despertar
brancas folhas de papel dormentes
desviar o curso de um regato na encosta
da floresta que canta a sua canção de vento
entornar um pouco desse copo automático
funcionar minhas molas de rascunho pressionadas
retomar o fio da leitura interrompida
iludir o tempo de marcar esta postagem

sábado, 5 de julho de 2014

Noite negra


Noite negra
Noite. Noite negra, nessa montanha.
Negra noite
Unidos pelo mesmo hálito,
o mesmo manto sem estrelas.
Nesse mundo, onde estamos nós?
Nessa noite negra. Tão negra
que deixamos acesa aquela luz.
Entre nós. Nossas luzes.
Negra noite.

CALIFORNIANO















CALIFORNIANO


No ponto Sul o vôo vem no mel
Boeing com seu som martelo ponto certo
Quem me espera? porque vem
o mais tarde amor
corta no ar do meu voto
caio nas suas cores
saio das suas plumas
chego.